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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A mensagem do capítulo Hoben (parte 3)

Referência Bibliográfica
DAISAKU, IKEDA. A mensagem do capítulo Hoben. Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2001. Pag.80-91.

Shari hôtsu.
Sharihotsu
Gô-ju-jô-butsu i-rai.
desde que atingi a iluminação
Shu-ju-in nen.
tenho exposto meus ensinos
Shu-ju-hi-yu-.
utilizando várias histórias sobre relações causais,
Kô-en gon kyô.
parábolas e inúmeros meios
Mu-shu-hô-ben.
para conduzir as pessoas
In dô-shu-jô.
e fazer com que renunciem
Lhô-ri-shô-jaku.
a seus apegos a desejos mundanos.

Neste trecho, Sakyamuni está explicando melhor a passagem anterior em que diz: “Um buda é aquele que compreendeu a Lei insondável e nunca antes revelada, pregando-a de acordo com a capacidade das pessoas, ainda que seja difícil compreender sua intensão.”

Sakyamuni tratou nos trechos anteriores da sabedoria dos budas em geral. Nesta passagem, em contraste, ele refere à sabedoria concentrando-a particularmente nele mesmo. 

Shari hôtsu.
Sharihotsu
Gô-ju-jô-butsu i-rai.
desde que atingi a iluminação
Shu-ju-in nen.
tenho exposto meus ensinos

“Desde que atingi a iluminação” refere-se ao período que Sakyamuni atingiu o estado de Buda até pregar o Sutra de Lótus, período durante o qual expôs vários sutras provisórios.

Hoben ou “meios” é uma forma ou um conselho que o Buda, por meio da benevolência, emprega para ajudar as pessoas a atingir a iluminação.

Desde o início, o propósito fundamental de Sakyamuni era possibilitar a todas as pessoas atingir a iluminação, mas ela não revelou isso nos sutras provisórios. Ele o faz pela primeira vez no Sutra de Lótus.

Ele expôs os ensinos como meios porque compartilhava os sentimentos das pessoas cuja a vida estava imersa na ilusão e no sofrimento. Os meios são uma expressão de sabedoria que serve para desenvolver as pessoas. Munido de palavras de benevolência e sabedoria, Sakyamuni deu o primeiro passo rumo a difícil jornada para pregar a Lei visando a salvação de todos.

Com relação às palavras do Sutra de Lótus, Nitiren Daishonin diz: “ Suas palavras são a realidade da vida” (END, vol.1, pág. 107), “ Cada um dos 69384 caracteres do Sutra de Lótus é um Buda” (Gosho Zendu, pág. 971).

O segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda disse:” O fato de sermos mortais comuns, seres não-iluminados, é o meio secreto e místico. A verdade é que somos budas.”

Embora sejamos budas, nascemos como mortais comuns. Isso quer dizer que, por meio da nossa revolução humana e demonstrando a prova  real da lei Mística, podemos realizar o Kossen-rufu. Se desde o início tivéssemos tudo, boa saúde e riquezas, então outras pessoas não compreenderiam o poder da Lei Mística. Dessa forma, tentamos revelar a Lei para as pessoas por meio de nosso empenho como mortais comuns. Este é o meio secreto e místico.

Shu-ju-hi-yu-.
utilizando várias histórias sobre relações causais,
Kô-en gon kyô.
parábolas e inúmeros meios
Mu-shu-hô-ben.
para conduzir as pessoas

Com as palavras “exponho meus ensinos utilizando várias histórias sobre relações causais, parábolas e inúmeros meios para conduzir as pessoas”, Sakyamuni observa que ele guia as pessoas por meio de diálogos livres e sem restrições. Tanto Sakyamuni como Nitiren Daishonin propagam a Lei “dialogando” com as pessoas.

o O Srs. Makiguti e Toda também forma mestres em diálogos e debates. Eles criaram uma história de diálogos repleta de convicção falando com a mesma dignidade tanto as pessoas simples como para as de posição social mais elevada.

O poder  do diálogo muda o coração das pessoas. O sincero diálogo é a luz do sol que comove e enternece os corações enregelados das pessoas. Palavras esclarecedoras e convictas são brisas refrescantes que dissipam as nuvens da ilusão.

O Buda manteve diálogos benevolentes para salvar as pessoas. Em outras palavras, ele continuou dialogando com as pessoas, esclarecendo a razão de os fatos acontecerem como ele diz devido às relações causais (innen, em japonês) e, para que tudo ficasse bem claro, utilizou parábolas (hiyu).

As pessoas podem mencionar suas vitórias como uma “parábola”, dizendo “olhe só para ele, por exemplo” ou “veja a revolução humana que ela está realizando”.  Nesse sentido, vamos compor muitos dramas da revolução humana em benefício de outros. Vamos transformar nossas comunidades em jardins floridos cheios de “parábolas” de diversos dramas de revolução humana, com sucessivas pessoas conquistando vitórias e tornando-se felizes.

In dô-shu-jô.
e fazer com que renunciem
Lhô-ri-shô-jaku.
a seus apegos a desejos mundanos.

o“...Fazer com que renunciem aos seus apegos a desejos mundanos” – aqui, Sakyamuni diz que tentou livrar as pessoas de desejos e ilusões empregando “várias histórias sobre “relações causais” e “parábolas”.

A causa fundamental da infelicidade das pessoas reside em sua tendência para desenvolver apegos de vários tipos.  Nos ensinos pré-sutra de Lótus Sakyamuni ensinou às pessoas dos nove mundos, cuja vida estava imersa na miséria, o caminho para libertarem-se desses apegos.

Contudo, o intuito do Sutra de Lótus não é erradicar os desejos mundanos. Quando nos baseamos na Lei Mística, podemos transformar os desejos mundanos – exatamente como são – em iluminação.

No Budismo de Nitiren Daishonin diz que esta frase deve ser interpretada como “iluminar-se com relação a seus apegos”.  Não é uma questão de erradicar os apegos a desejos mundanos, mas sim de percebê-los claramente. Em outras palavras, em vez de fazer com que abandonemos nosso desejos mundanos, nossa prática budista possibilita-nos discernir sua verdadeira natureza e utilizá-los como uma força motriz para a felicidade.

Para tanto, é importante considerarmos sempre o propósito de nossas ações. Quando estabelecemos claramente nossos objetivos fundamentais na vida, podemos utilizar nosso apegos de forma mais útil e plena.


      A vitória da vida por meio da vitória na fé

     “Afirma-se que a vida é como um drama. Seja no mundo dos negócios, da educação, do lar, seja lá onde estiver, cada pessoa tem sua atuação. Esse “papel” consiste de um meio; mas se a pessoa abandonar seu papel, não encontrará sua missão. Manifestamos plenamente nossa verdade interior quando desempenhamos nosso papel”.

Daisaku Ikeda

  




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